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Amar é urgente


A vida é um sopro.

Não temos certeza de nada — exceto de que um dia vamos partir.

E até que esse dia chegue… o agora é tudo o que realmente temos.


Mas a gente esquece disso.

Vivemos preocupados com o boleto de amanhã, com o compromisso da semana que vem, com os planos para daqui seis meses.

E sem perceber… vamos deixando o amor para depois.

Não porque não amamos… mas porque estamos com pressa.

Até que a morte chega — e quando ela chega, tudo o que era urgente perde completamente o sentido.

A pressa não faz mais sentido.

O compromisso marcado para daqui seis meses não faz mais sentido.

O que faz sentido… é o que vivemos.

É o amor que entregamos.

É o agora que não voltará.


E então surge a pergunta:

será que amamos o suficiente?

Será que estivemos presentes?

Ou deixamos para depois… o que nunca mais poderá ser vivido?


Com o Charbel , não.

Nunca foi tarde.

Eu, ele e a nossa família — nós vivemos o agora com intensidade.

Sempre tivemos consciência de que o amanhã pertence a Deus.

E sabíamos — com profundidade — que a separação física poderia acontecer a qualquer momento.


Mas nunca imaginamos que seria assim.

Não com ele.

Porque, para nós, quem viveria esse momento de partida precoce seria eu.

Eu, doente. Eu, entre hospitais e incertezas.

E enquanto todos cuidavam de mim… ele estava forte, inteiro, saudável.


Até que um dia… o improvável aconteceu.

O mais novo. O mais cheio de vida.

Dormiu… e virou anjo nos braços do Senhor.

Meu irmão. 22 anos.


Desde então… a saudade dói.

Dói profundamente não receber mais as mensagens dele:

“Bom dia, habibi.”

“Te amo, habibi.”

“Como você tá, meu amor?”

“Você é a mulher da minha vida.”

“O que seria de mim sem você?”


O Charbel era assim: carinhoso, protetor, inteiro.

Ele me ensinou a amar — amar de verdade.

Muito do que sei sobre amor… aprendi com ele.

Mas há algo que ele não me ensinou: a viver sem ele.


Agora terei que aprender.

Aprender a viver sem a presença física…

mas com a presença eterna nas memórias e no coração.

E apesar da dor, há um consolo que me coloca de pé:

meu irmão partiu sabendo exatamente o que eu sinto por ele.

Ele partiu sabendo o quanto é amado… o quanto eu tenho orgulho de quem ele foi…

e o quanto ele transformou a minha vida.


Por isso, eu não me arrependo de nada.

Porque viver com intensidade pode machucar…

mas é o único jeito de ter certeza de que valeu a pena existir.

Porque quem vive pisando em ovos… apenas sobrevive.

E eu e o meu irmão… nós vivemos.

Vivemos tudo o que poderíamos viver.

E assim fomos… verdadeiramente irmãos.


Hoje, eu compreendo:

não foi privilégio. Foi consciência.

E foi fé.

Mas eu sei que muitos… não tiveram essa chance.


Por isso, aqui está o meu apelo a todos vocês:

não esperem a doença para dizer “eu te amo”.

Não esperem a dor para aprender a abraçar.

Não esperem perder para entender o valor de estar presente.

O amor não pode ser adiado.

O amor é agora.


Diga que ama.

Abrace mais.

Passe menos tempo no relógio… e mais tempo no coração.

Porque a verdade é simples e profunda:

não sabemos o que nos espera amanhã.

E se a vida é um sopro…

que o amor seja, então, o nosso fôlego diário.


Porque sim… a vida é breve.

Mas o amor…

o amor é eternidade.


 
 
 

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