
Amar é urgente
- Rita Ephrem

- 20 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
⸻
A vida é um sopro.
Não temos certeza de nada — exceto de que um dia vamos partir.
E até que esse dia chegue… o agora é tudo o que realmente temos.
Mas a gente esquece disso.
Vivemos preocupados com o boleto de amanhã, com o compromisso da semana que vem, com os planos para daqui seis meses.
E sem perceber… vamos deixando o amor para depois.
Não porque não amamos… mas porque estamos com pressa.
Até que a morte chega — e quando ela chega, tudo o que era urgente perde completamente o sentido.
A pressa não faz mais sentido.
O compromisso marcado para daqui seis meses não faz mais sentido.
O que faz sentido… é o que vivemos.
É o amor que entregamos.
É o agora que não voltará.
E então surge a pergunta:
será que amamos o suficiente?
Será que estivemos presentes?
Ou deixamos para depois… o que nunca mais poderá ser vivido?
Com o Charbel , não.
Nunca foi tarde.
Eu, ele e a nossa família — nós vivemos o agora com intensidade.
Sempre tivemos consciência de que o amanhã pertence a Deus.
E sabíamos — com profundidade — que a separação física poderia acontecer a qualquer momento.
Mas nunca imaginamos que seria assim.
Não com ele.
Porque, para nós, quem viveria esse momento de partida precoce seria eu.
Eu, doente. Eu, entre hospitais e incertezas.
E enquanto todos cuidavam de mim… ele estava forte, inteiro, saudável.
Até que um dia… o improvável aconteceu.
O mais novo. O mais cheio de vida.
Dormiu… e virou anjo nos braços do Senhor.
Meu irmão. 22 anos.
Desde então… a saudade dói.
Dói profundamente não receber mais as mensagens dele:
“Bom dia, habibi.”
“Te amo, habibi.”
“Como você tá, meu amor?”
“Você é a mulher da minha vida.”
“O que seria de mim sem você?”
O Charbel era assim: carinhoso, protetor, inteiro.
Ele me ensinou a amar — amar de verdade.
Muito do que sei sobre amor… aprendi com ele.
Mas há algo que ele não me ensinou: a viver sem ele.
Agora terei que aprender.
Aprender a viver sem a presença física…
mas com a presença eterna nas memórias e no coração.
E apesar da dor, há um consolo que me coloca de pé:
meu irmão partiu sabendo exatamente o que eu sinto por ele.
Ele partiu sabendo o quanto é amado… o quanto eu tenho orgulho de quem ele foi…
e o quanto ele transformou a minha vida.
Por isso, eu não me arrependo de nada.
Porque viver com intensidade pode machucar…
mas é o único jeito de ter certeza de que valeu a pena existir.
Porque quem vive pisando em ovos… apenas sobrevive.
E eu e o meu irmão… nós vivemos.
Vivemos tudo o que poderíamos viver.
E assim fomos… verdadeiramente irmãos.
Hoje, eu compreendo:
não foi privilégio. Foi consciência.
E foi fé.
Mas eu sei que muitos… não tiveram essa chance.
Por isso, aqui está o meu apelo a todos vocês:
não esperem a doença para dizer “eu te amo”.
Não esperem a dor para aprender a abraçar.
Não esperem perder para entender o valor de estar presente.
O amor não pode ser adiado.
O amor é agora.
Diga que ama.
Abrace mais.
Passe menos tempo no relógio… e mais tempo no coração.
Porque a verdade é simples e profunda:
não sabemos o que nos espera amanhã.
E se a vida é um sopro…
que o amor seja, então, o nosso fôlego diário.
Porque sim… a vida é breve.
Mas o amor…
o amor é eternidade.
⸻










Comentários